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Wednesday, January 7, 2026

China lança exercícios massivos da “Missão Justiça 2025” em Taiwan, intensificando as tensões regionais

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Taipei/Pequim, 30 de dezembro de 2025 — A China aumentou drasticamente as tensões no Estreito de Taiwan após o Exército de Libertação Popular (ELP) ter lançado exercícios militares de grande escala, denominados “Missão Justiça” 2025, simulando um bloqueio total a Taiwan, poucos dias depois de os Estados Unidos terem anunciado a maior venda de armas da história à ilha.

Os exercícios, realizados entre 29 e 30 de dezembro, envolveram o exército, a marinha, a força aérea e a força de foguetes da China, marcando o que os analistas descrevem como os exercícios militares mais abrangentes de Pequim até à data, em termos de complexidade geográfica e cobertura térmica operacional.

Operações em Grande Escala e com Munições Reais

De acordo com os meios de comunicação social estatais chineses, os exercícios abrangeram sete zonas de tiro real, posicionadas mais próximas de Taiwan do que nos exercícios anteriores. No segundo dia, o Exército de Libertação Popular (ELP) disparou foguetes de longo alcance em águas próximas de Taiwan, enquanto mobilizava mais de 89 aeronaves militares — o maior número diário num ano — e dezenas de navios de guerra.

As manobras simularam um “bloqueio naval e aéreo”, ataques de precisão contra alvos marítimos e terrestres e cenários com o objetivo de dissuadir intervenções militares estrangeiras, sublinhando a crescente confiança de Pequim na rápida mobilização e coordenação de forças conjuntas.

Desencadeados pelas Vendas de Armas dos EUA e Declarações Regionais

Os exercícios ocorreram após Washington ter anunciado um pacote de armas de 11,1 mil milhões de dólares para Taiwan, incluindo munições guiadas de precisão e sistemas como o HIMARS. Também aconteceram no meio de uma acesa retórica de aliados regionais, incluindo declarações da “Primeira-Ministra japonesa Sanae Takaichi” sugerindo que o Japão poderia eventualmente envolver-se em Taiwan.

Pequim descreveu os exercícios como um “aviso severo” ao que designou como “separatistas independentistas de Taiwan” e “forças externas”, amplamente interpretado como uma referência aos Estados Unidos e ao Japão.

Vídeos divulgados durante os exercícios mostraram forças do Exército de Libertação Popular a serem rapidamente mobilizadas e imagens de pontos turísticos de Taipé, reforçando a mensagem de alcance militar e dissuasão.

Taiwan Condena “Provocações Irresponsáveis”

O governo de Taiwan condenou veementemente os exercícios militares, classificando-os como “provocações irresponsáveis” que ameaçam a estabilidade e a paz regionais.

Taiwan respondeu enviando as suas próprias forças para exercícios de vigilância e contra-ataque, incluindo demonstrações de sistemas de armas fornecidos pelos EUA. O Presidente Lai Ching-te reafirmou o compromisso de Taiwan com a defesa da sua soberania, sublinhando que a ilha evitaria uma escalada desnecessária.

Os exercícios tiveram também consequências para a população civil, interrompendo centenas de voos e afetando mais de 100 mil passageiros, segundo as autoridades da aviação.

Reação Internacional e Implicações Estratégicas

O presidente norte-americano, Donald Trump, tentou minimizar a situação, afirmando que mantinha uma boa relação com o presidente chinês Xi Jinping e que “não estava preocupado” com os acontecimentos.

Embora as tensões no Estreito de Taiwan tenham diminuído ligeiramente durante o segundo semestre de 2025, os analistas afirmam que a natureza surpresa dos exercícios militares — anunciados pouco antes do seu início — sinaliza uma fase renovada e mais assertiva na postura militar da China.

Embora “não tenha ocorrido nenhum ataque direto a Taiwan” e os exercícios tenham sido concluídos sem confrontos, os especialistas alertam que as manobras vão testar cenários realistas para isolar Taiwan e impedir a intervenção dos EUA ou dos seus aliados num futuro conflito.

A China continua a reivindicar Taiwan como parte do seu território e não descartou o uso da força para a reunificação, enquanto Taiwan rejeita as reivindicações de Pequim e procura manter o status quo com apoio internacional.

Como a situação se mantém instável, os governos e os observadores estão a acompanhar atentamente as declarações oficiais de todos os lados em busca de novos desenvolvimentos.

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